Você pediu orçamento para três montadoras. Voltaram três propostas com preços muito diferentes e nenhuma delas comparável com as outras. Uma inclui mobiliário, a outra não menciona. Uma fala em piso elevado, a outra em carpete. E aí fica a dúvida: a mais cara está roubando ou a mais barata está escondendo alguma coisa?
Na maioria das vezes, nenhuma das duas. O problema está antes: o briefing que saiu da sua mão não era o mesmo para as três. Cada montadora preencheu as lacunas do seu jeito, e o que voltou foram três projetos diferentes com o mesmo nome.
Briefing bem-feito não é burocracia. E, principalmente:
Um bom briefing não diz ao projetista como desenhar o stand. Ele explica o problema que o stand precisa resolver.
A diferença é concreta. Compare estas duas frases:
- “Quero quatro mesas.”
- “Preciso conseguir fazer quatro reuniões simultâneas de mais ou menos vinte minutos com compradores, sem que uma escute a outra.”
A primeira manda executar. A segunda deixa o projetista pensar — e talvez ele volte com algo melhor do que quatro mesas. Talvez com quatro nichos acústicos, ou com um mezanino, ou com uma solução que você não tinha imaginado.
O que segue é o que um briefing precisa conter, na ordem que faz sentido: primeiro as restrições, depois a estratégia, depois o projeto, por último a execução e o investimento.
1. O evento e o manual do expositor
Nome da feira, cidade, pavilhão, datas do evento e — principalmente — as datas de montagem e desmontagem.
Todo evento tem um manual do expositor, com regras de altura, recuo de parede vizinha, materiais permitidos, exigência de projeto aprovado, ART, seguro e taxas. Envie esse manual junto com o briefing. Uma montadora experiente lê antes de projetar, e isso evita a pior situação possível: projeto reprovado pelo promotor às vésperas da montagem.
O prazo de montagem também define o método construtivo. Marcenaria elaborada exige mais horas no pavilhão do que estrutura modulada. Se o promotor libera o espaço com pouca antecedência, algumas soluções saem de cena — melhor descobrir agora.
2. O espaço, a planta e a localização
Informe a metragem, as dimensões, o pé-direito permitido e se há mezanino autorizado. E o tipo de espaço:
- Box: uma face aberta
- Esquina: duas faces
- Península: três faces
- Ilha: aberta nos quatro lados

Mas não pare aí. Envie a planta da feira com a localização exata do seu stand. Se possível, identifique os corredores principais, as entradas do pavilhão, a praça de alimentação e quem são seus vizinhos.
Dois stands de 100 m² podem exigir projetos completamente diferentes dependendo de onde o fluxo passa. Um espaço encostado na entrada principal trabalha com quem ainda está de mochila nas costas e caderno fechado. Um espaço no fundo do corredor recebe quem já viu tudo e está cansado. São problemas distintos.
Aproveite e informe quais concorrentes estarão na feira e, se souber, onde. Se o seu principal concorrente montou 200 m² do outro lado do corredor, isso influencia altura, ponto focal e comunicação.
3. O objetivo comercial
O que o stand precisa fazer por você? Fechar negócio ali mesmo, com reunião sentada e sigilo? Gerar volume de contatos, com fluxo alto e conversa rápida? Lançar um produto, exigindo um ponto focal que pare o visitante? Ou sustentar presença institucional diante de concorrentes maiores?
Cada objetivo produz um stand fisicamente diferente. Um stand desenhado para fechar contrato tem espaço reservado e poucos pontos de atendimento. Um stand de captação tem balcão longo, circulação livre e nada que crie barreira.
4. Quem você quer atrair
Não é a mesma coisa projetar para diretor de indústria, produtor rural, médico, comprador técnico, servidor público ou consumidor final.
Responda três perguntas:
- Quem você quer que entre no stand?
- Quem, dentro dessa empresa, toma a decisão de compra?
- Quanto tempo você espera que essa pessoa permaneça ali?
A última é decisiva. Uma abordagem de três minutos e uma permanência de quarenta minutos pedem mobiliários, circulação e níveis de privacidade completamente diferentes.
5. A jornada do visitante
Imagine a pessoa caminhando pelo corredor e chegando no seu espaço. O que ela vê primeiro? É abordada por alguém, ou circula sozinha? Experimenta um produto? Assiste a uma apresentação? Deixa os dados? Senta para uma reunião? Tira uma foto? Sai levando uma amostra?
Descreva essa sequência em ordem, como se fosse uma cena. O layout nasce daí. Sem isso, o projetista distribui móveis bonitos pelo espaço e torce para que funcione.

6. As necessidades funcionais
Agora sim a lista concreta:
- Quantas pessoas da sua equipe atendem ao mesmo tempo
- Depósito fechado — e o que será guardado (caixas, mochilas, estoque de brinde)
- Copa
- Sala de reunião fechada ou mesa aberta
- Balcão de recepção
- Vitrine, prateleira ou expositor
- Palco ou área de apresentação
- Lounge
7. Produtos e equipamentos expostos
Liste o que será exposto, com peso e dimensão de cada item. Equipamento pesado pode exigir reforço estrutural no piso ou base própria, e isso entra no projeto desde o começo — não depois.
Informe também como o produto chega ao pavilhão e se precisa de empilhadeira ou acesso especial.
8. Marca, comunicação e referências
Envie o manual de marca, se houver, e os arquivos vetoriais do logotipo. Diga quais mensagens precisam estar legíveis de longe.
E o ponto mais subestimado: envie referências visuais — inclusive do que você não quer. Stands, arquitetura, lojas, hotéis, qualquer ambiente que traduza o que está na sua cabeça.
“Moderno”, “clean”, “premium” e “tecnológico” significam coisas diferentes para cada pessoa. Uma imagem resolve em dois segundos uma divergência que três reuniões não resolvem.
9. Infraestrutura técnica
Não é só tomada. Liste:
- Energia: tudo que liga — TVs, notebooks, geladeira, cafeteira, iluminação cênica, totem, equipamento demonstrativo
- Dados: wi-fi costuma não sustentar demonstração ao vivo; diga se precisa de internet cabeada
- Hidráulica: ponto de água e deságue, para copa, cafeteria, demonstração ou cozinha
- Climatização: ar-condicionado, quando aplicável
- Cargas elevadas e equipamentos especiais
Uma cafeteira ligada é uma coisa. Uma cozinha em operação é outra completamente diferente.
Vale saber: em muitos eventos, a carga elétrica e outros serviços obrigatórios são contratados diretamente com o promotor ou com o fornecedor oficial, e não estão incluídos no valor da montagem. Confira isso no manual do expositor.
10. Orçamento
Dizer o valor-alvo não enfraquece sua negociação — faz o contrário. Permite projetar dentro da sua realidade em vez de apresentar algo fora do alcance e depois cortar às pressas, tirando justamente o que dava identidade ao stand.
Mas seja específico sobre uma coisa: o valor informado é só para projeto, produção e montagem do stand, ou é a verba total da participação na feira?
A verba total costuma incluir o espaço, a energia, a internet, as taxas do promotor, buffet, recepcionistas, brindes, hospedagem e passagens da equipe. Quando essa distinção não é feita, a montadora projeta para um número que nunca existiu.
11. Aprovação, responsáveis e prazos
A montagem é o fim de uma cadeia: briefing, projeto, alteração, aprovação, detalhamento, produção, comunicação visual, montagem.
Informe quem aprova o projeto dentro da sua empresa e qual é o prazo interno para essa aprovação. Alteração tardia compromete produção, comunicação visual e acabamento — mesmo quando a data de montagem ainda parece distante no calendário.
12. Recorrência
Este projeto será usado uma única vez, ou sua empresa participa de várias feiras ao longo do ano?
A resposta muda o desenho. Participação recorrente abre espaço para elementos reutilizáveis, comunicação intercambiável, estrutura modular ou projeto proprietário — o que dilui o investimento ao longo da temporada. Evento único pede a solução mais eficiente para aquela ocasião.
Checklist do briefing
- Feira, cidade, pavilhão, datas de evento, montagem e desmontagem
- Manual do expositor anexado
- Metragem, dimensões, altura permitida, tipo de espaço
- Planta da feira com a localização do stand
- Concorrentes e vizinhos
- Objetivo comercial da participação
- Quem você quer atrair e quanto tempo deve permanecer
- A jornada do visitante, descrita em ordem
- Ambientes necessários e tamanho da equipe
- Produtos expostos com peso e dimensão
- Marca em vetor e referências visuais, inclusive negativas
- Energia, dados, hidráulica, climatização, cargas especiais
- Verba — e se é do stand ou da participação inteira
- Quem aprova e até quando
- Uso único ou recorrente
Ainda não tem todas essas respostas? Tudo bem — quase ninguém tem na primeira conversa. A Afix pode ajudar a transformar os objetivos da sua participação na feira em um briefing técnico para o projeto do stand.




